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Inspirada pela mãe, pedreira cria empresa na área da construção civil

Geisa Garibaldi é fundadora e CEO da Concreto Rosa, empresa carioca de serviços na área de construção civil que só emprega mulheres

Geisa Garibaldi, 34, vive no Rio de Janeiro (RJ) e já teve diversos empregos. Trabalhou como recepcionista, cuidadora de idosos, faxineira, vendedora de esfirra na praia, entre outras coisas. Mas ela não se sentia realizada em nenhuma dessas funções.

Em 2015, em meio a uma crise existencial, Geisa agarrou uma oportunidade para transformar a sua vida. Ela viu um anúncio para o curso de pedreira do projeto Mão na Massa, voltado só para mulheres. Eram 70 vagas, e ela ficou na 400ª posição.

Ela insistiu e, assim que houve uma desistência, acabou sendo chamada para o curso. Lá, encontrou outras mulheres que, assim como ela, eram negras, chefes de família e estavam cansadas do mercado de trabalho que se apresentava de forma hostil à elas.

No decorrer do curso, Geisa percebeu que podia unir sua militância feminista com a área que havia escolhido. Hoje, a Concreto Rosa conta com outros 4 funcionárias – todas mulheres – para realizar serviços de construção, reforma residencial, pintura, hidráulica e elétrica.

Antes de iniciar seu próprio projeto, a CEO da Concreto Rosa já fazia reparos para amigos e colegas, prestando serviços como consertar descargas e levantar lajes.

A principal figura de inspiração para o projeto foi a mãe de Geisa, Anita Garibaldi. Em entrevista para o portal Maré, Geisa contou um pouco sobre a importância da figura materna.

“Ela era uma mulher que metia a mão e fazia tudo. Eu me lembro sempre dela levantando alicerce, puxando tomada, carregando cimento, tijolo. Ela trouxe a gente para a realidade. Ela sempre teve a preocupação de manter as coisas funcionando. Foi com ela que eu aprendi esse tanto, muito pela questão da sobrevivência. Quando você não tem o que fazer, você não tem para onde correr, tem de meter a mão”.

Outro fator que pesou na hora de decidir montar o próprio negócio foi a percepção de que as mulheres enfrentam diversos problemas, como assédio e constrangimentos, na hora de contratar esses serviços.

A atuação de Geisa na área da construção civil não é tão incomum. Dados do IBGE coletados entre 2007 e 2018, apontam que a participação de mulheres no setor aumentou 120%. O número de profissionais femininas da área no Brasil chegou a 239,2 mil. Além disso, existem outros projetos semelhantes pelo Brasil, como o Ela Repara (RJ); o Se Vira, Mulher e o SOS Gurias (RS); e o Entre Minas (BA).

NTH – Observatorio do terceiro setor

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